domingo, 22 de novembro de 2020

A Oposição com sentido

O presidente indica Dario para a seleção brasileira. O presidente destrincha a sucessão gaúcha - e outras. O presidente pragmatiza. O presidente assume. O presidente fala e age. Ricardo Setti, do “Jornal da Tarde”: Deputados e senadores solicitam ao Governo uma importante decisão revolucionária: a escolha das flores que vão compor a decoração do plenário do Congresso para a sessão inaugural. Mas nem tudo são flores na área governamental. Dario é convocado e já vai para a reserva, treinando mal. O poder político não aceita certos nomes escolhidos por Médici para alguns Estados. O presidente recua e mostra-se disposto a indicar arenistas convictos para, pelo menos, os governos da Bahia e da Paraíba. O marechal Cordeiro de Faria faz histórico discurso na Escola Superior de Guerra, dentro de um contexto global de fidelidade revolucionária. Médici envia nova Lei das Inelegibilidades ao Congresso. Há uma marcha-a-ré sucessória. No caso da censura, Buzaid procura atender as reclamações dos excessos. A Oposição pede a palavra. Consentida. Com sentido. 

Elis: eu paro 
Elis Regina volta à ribalta, no “Canecão”, e com invulgar sucesso. Ontem completou 25 anos. Diz ela, ao lado de Ronaldo Bôscoli, empresário e marido: - Sinto-me tranquila e feliz. A gravidez não me prejudicou em nada. Quando chegar a hora, eu paro. 

Pelé: eu topo
O Santos quer cobrar Pelé? O Santos admite a venda de Pelé? Pelé é que tem a receber 300 milhões de cruzeiros do Santos? Pelé quer esclarecer a verdade. Eu topo. Athié Jorge Coury, no Palácio dos Bandeirantes: - Pelé não sai do Santos. Vamos acertar e esclarecer tudo. O Santos parte para renovar o seu contrato. E por mais dois anos. 

Sodré: eu faço
Moderno, funcional, abrigando cinco mil alunos (podendo ser aumentado para 10 mil), Abreu Sodré inaugura o Colégio Estadual “31 de Março”, em Utinga, na ata da Revolução. Foi um comício de mais de 10 mil pessoas, lembrando as grandes reuniões populares de S. Paulo. Muita vibração e sentido cívico na festa. E o governador: - Vamos celebrar estes seis anos da Revolução, inaugurando esta grande obra para anosa juventude. Cumprimos, assim, nosso compromisso para com o Brasil do amanhã. 

Frase da semana 
Pedro Aleixo, ex-vice presidente da República: Não sou adivinho nem vidente. Não sei se surgirá o terceiro partido. Mas a ideia é realizável e bem exequível. 

TRIBUNA DE SANTOS, 5 de abril de 1.970.

A hora e a vez do folclore e da cultura popular

Mestre Luís da Câmara Cascudo rio-grandense-do-norte, um dos sete maiores folcloristas do mundo em todos os tempos, diz preferir pesquisar Jangada e Rede de Dormir “em vez de alistar-me entre os devotos da economia estatística ou da previsão meteorologia eleitoral”. No Dia do Folclore, anteontem, o professor Rossini Tavares de Lima responde, e concorda, dizendo que o estudo do folclore é o caminho para o encontro do homem acima das nacionalidades. Sucedem-se as exposições de artesanato, o sucesso das músicas regionais e das danças típicas, da pintura mágica e primitiva. Etnólogos e sociólogos debruçam-se na cultura popular e espontânea. Em Nova Iorque, as telas de Chico da Silva, o índio acreano que vive no Ceará, são vendidas a dois mil dólares. De Paris avisa Waldomiro de Deus, nosso pintor-caboclo “hippie” e baiano, ter vendido em Montmartre e nas galerias, toda sua produção. À época dos mísseis, cibernética, computadores eletrônicos, telstares, super-robôs e viajem à Lua. Mas a grande viagem que o homem ainda faz é à volta de si mesmo. A inteligência e a cultura do povo. A intuição, o equilíbrio e a lógica. A arte espontânea. A alegria reveladora do entalhe e da cerâmica artística e utilitária. A literatura de cordel-jornal e poesia no Norte-Nordeste. Gente simples. Engenho e artesanato. Sabedoria. Ciência popular. Folclore. 

Jesus é o perfeito 
No Colégio São Luís, fala o padre Vitório Marcozzi. A psicologia de Jesus Cristo: um homem psicologicamente perfeito. Já Buda e Maomé, não. - Buda, vítima de uma grande depressão, era um maníaco destituído de equilíbrio psicológico. Maomé teve atitudes e ações com as quais uma pessoa psicologicamente equilibrada jamais concordaria. Exemplo: a chacina de Medina. 

As duas faces do progresso 
Na Associação Comercial do Rio de Janeiro, a convite do “Boletim Cambial”, o governador Sodré faz uma palestra bem sucedida, mostrando os índices de crescimento da economia paulista. Levanta-se o industrial Barbero, de Sorocaba, e contesta. Alinha uma choradeira típica do empresariado-que-deseja-tudo do Estado. Mas no mesmo instante fala o industrial suíço, radicado no Rio: - Governador, parabéns. Sua palestra foi muito elucidativa e clara. Saímos daqui, hoje, reconfortados e confiando no progresso de S. Paulo e deste país. Volto para minha fábrica, hoje, comas baterias carregadas. 

Ainda falam de Gilmar 
O colombiano pula no ar e enche o pé, imprevistamente. Felix estica-se tardiamente. No primeiro tempo, tomara um gol meio fajuto. Avelino Ginjo, competente e veterano repórter fotográfico, não se contém: - Nessa seleção brasileira, falta alguém. É o Gilmar. Não importa que tenha 40 anos. O Zamora jogou até os 45. E a Espanha manteve Zamora na seleção até o fim. 

A arma poderosa 
Fala, na ABI, o general Lyra Tavares, ressaltando que cabem à Imprensa e ao Exército na preservação e na defesa das liberdades democráticas. - Vós, como homens de imprensa, e nós, como soldados, defendemos a democracia brasileira em dois setores muito relevantes. E nesta hora em que ela se vê ameaçada. Principalmente no “front” do espírito por adversários ideológicos... estou certo de que cabe à Imprensa, ainda mais que ao Exército, a missão predominante, a responsabilidade mais direta e o papel mais eficaz na defesa e na preservação das liberdades essenciais dos cidadãos... Nenhuma arma tem o poder do jornal, nem ninguém é mais responsável do que ele no dever de ajudar a Nação. 

A TRIBUNA Santos, 24 de agosto de 1.969.

A hora e a vez do caipira

A dupla caipira Tonico-Tinoco é contratada pela TV Bandeirantes para um programa diário na televisão. Na UD, Rita Lee lança, com sucesso, a moda nhô-luk. A Secretaria do turismo edita, a cores, o folheto biográfico de Cássio M’Boy e sua pintura caipira. Carlos Lacerda, de calça de veludo e camisa moderninha, dá uma circulada entre nós e denuncia, em artigo, o caipirismo da nova Praça Roosevelt. A tropicália, que substituiu a antropofagia, perde a vez. A hora e a vez, agora , é do caipira. O presidente convoca o governador e nomeia Laudo Natel. 

Da Cidinha 
A hora e a vez. Sai espetacularmente do Canal 7 e entra, em triunfo, na Rede Globo. Ataca e defende Hebe no próximo “Quem Tem Medo da Verdade?”. Dela e de Hebe, diz Helena Silveira, voltando à crônica semanal das “Folhas”: - Hebe é uma artista sem cenários. Cidinha são os cenários sem uma artista. 

Do Firmino 
Recuperando-se de alguns dissabores, mestre Firmino Rocha de Freitas dinamiza-se de novo. Ataca obras. Corre o Interior. E para os santistas, a boa notícia: - A Via dos Imigrantes será realidade. A Anchieta terá melhorias e recapeamento. Agora chegaram os recursos: 10 milhões de dólares, de um grupo de bancos franceses. 

Do Maluf 
O prefeito preocupa-se com os ataques do “Estadão”? Correa Neto, seu assessor, calcula que cada página do jornal, e ataques a Maluf, custa 80 mil novos, à tabela atual da publicidade. Ruim, mesmo, são as árvores da cidade, pintadinhas de cal, do meio para baixo, Estão na onda do caipirismo. Por muito menos que fizessem nas árvores do “Bois de Bologne”, os franceses derrubariam o governo. 

Do Cristo 
“Superstar” é o disco da hora e da vez. Música dos ingleses Webber-Rice para a ópera moderna “Jesus Cristo”. O “imprimatur” da Igreja britânica coonesta esta música tão séria. Hélio Muniz de Souza lança o disco no Brasil. “Jesus, por que você escolheu uma terra tão estranha? Não me entenda mal, eu apenas quero saber... “Jesus Cristo, quem é você? Por quem você se sacrificou? “Você pensa que você é o que dizem que você é?”

A TRIBUNA
Santos, 26 de abril de 1.970.

A COZINHA DA COPA

Sim, o futebol, a Copa foi a comunhão do povo. É Dom Marcos Barbosa falando, em artigo escrito sobre o Trimundial. Nelson Rodrigues gerou o “Berro em flor” que corre estes brasis. Fernando Pedreira fez a melhor análise da Copa, em lúcido artigo no “Estadão”, entrando até pela sociologia da Revolução. No “Placarde”, Aimoré Moreira mostrou ter sido, no México, melhor espião a nosso favor que cronista esportivo, Leônidas, recém-chegado de Guadalajara, ao governador Sodré: Quando Saldanha acendeu os brios de Pelé, meses atrás, estávamos começando a ganhar a Copa. 

Carlos Drummond de Andrade, explodindo no seu... 

“É gooool”: 
“É longe em mim.
Sou o estádio de Jalisco, triturado de chuteiras, a grama sofredora
 Assistir? Não assisto. Estou jogando.
No baralho de gestos, na maranha
Na contusão na coxa
Na dor do gol perdido
Na volta do relógio e na linha da sombra
Que vai crescendo e esse tento que não vem
 Ou vem e é contrário... ... ... De repente o Brasil ficou unido
Contente de existir, trocando a morte
 O ódio, a pobreza, a doença, o atraso triste
 Por um momento puro de grandeza
 E afirmação no esporte”. 

Natel zangado 
Torcer pelo São Paulo F. C. parece ser, realmente, o sofrer eternamente do poeta. Alguém já viu o Sr. laudo Natel zangado? Muita gente. Os que estavam perto do presidente tricolor quando ele leu o artigo do jornalista Joel Silveira. Título da peça: Até quando o S. Paulo viver da majestade de seu estádio? 

Terror renegado Moleque estudante ou líder guerrilheiro? André Massafumi Yoshinaga, 21 anos, não é mais o Terror Amarelo. Critica Lamarca. Elogia Médici. Já faz frase de efeito: - O terrorismo, hoje em dia, em nosso país, já nada mais é que um banditismo primário e banal. 

Pelé enluarado Pesquisa: Rivelino tem a preferência nos salões da classe A. Pelé é ainda o maior da grande classe média da classe B. E Jairzinho é o tri do momento da baianada popular. Nei Bianchi, na “Manchete”, assegura que Pelé joga na Copa de 74. Mauro Ramos de Oliveira: Indiscutível: Pelé deve jogar em 74, na linha de frente dos beques. Com seus passes de gênio, venceremos a X Copa. Um cantor qualquer, numa rádio qualquer, com um sambinha bem bom: -Pelé tem os pés agora, Em cima da Lua.

A TRIBUNA 
Santos, 5 de julho de 1970.

A chave do cofre em mãos competentes

A rotina e os homens rotineiros são os esqueletos fósseis cujas peças resistem à carcoma dos séculos. Arrobas Martins não cita só Ingenieros. Argumenta com Molière e Padre Bernardes, Keynes e Galbraith. Sua biblioteca tem mais de 12 mil volumes. Hoje ninguém mais estranha sua indicação para a Secretaria da Fazenda. A estrutura moderna de organização só alcança a verdadeira eficiência com autoridade burocrática. Responsável pela reforma administrativa do Governo começou-a com amplo sucesso em sua própria pasta. A filosofia de Abreu Sodré está plenamente atingida: integrar e desenvolver. As finanças foram equilibradas e o Estado passa por fase de progresso sem paralelo em sua história. É líder do movimento familiar cristão, escuta Noel e Martinho da Vila, lê Robbe-Grillet, viaja ao Amazonas, a Jaboticabal, sua terra natal, e a Roma. Gosta do novo romance francês. Enfrentamos o desafio da explosão demográfica e as necessidades crescentes de produção e consumo. A funcionária vê Luiz Arrobas Martins, na entrevista destacada da “Manchete” e diz: Ele já é um pão. Ainda mais colorido! O secretário: S. Paulo está trabalhando para o bem do Brasil. O desafio de Wadih Helu Wadih Helu não acredita em gols de Pelé na partida de hoje: O negrão gastou tudo contra a Portuguesa. O secretário Orlando Zancaner promete um carro a Pelé pelo milésimo gol. E mais um troféu. 

Rembrandt será mostra 
Raquel Segall e Pietro Bardi organizando a Exposição Rembrandt que o Museu de Arte apresentará na Avenida Paulista. Por hora, o Museu expõe a notável mostra “A mão do povo brasileiro”. E quem vai supervisionar o tombamento do Museu - que vai passar por inteiro para o patrimônio federal - é Cândido Mota Filho, ministro aposentado do STF. Pai do “expert” Flávio Mota. 

Toda arte no título 
Da “Visão”: A China vai de Mao a Piao. Do jornal ”O Dia”: Barnard de coração novo. 

Anchieta fica maior 
Todo o latim desta semana do Sr. Firmino Rocha de Freitas, secretário dos Transportes, gasto em demonstrar que a Via Anchieta “ficará maior e oferecerá maior segurança”. Em futuro breve. Recomenda-se aos santistas a leitura atenta, na íntegra, das declarações de secretário dos Transportes, que a nossa “A Tribuna” publica. 

A frase da semana 
Quissak Júnior, artista de Guaratinguetá, despontando; “A Bienal de São Paulo, uma das maiores mostras de arte do mundo, tem dois méritos excepcionais: O primeiro de vulgarizar a cultura, popularizando realmente esse ponto específico da arte. O segundo, de dar margem ao surgimento a uma arte brasileira e, muito mais do que isso, a uma arte universal em termos brasileiros, de criatividade, de origem, de processo de gênesis inteiramente nossos”. 

TRIBUNA DE SANTOS 
19 de outubro de 1969.  

A Anchieta de todos nós

 Na Via Anchieta, as primeiras fábricas começaram a surgir para além da represa, a caminho da serra. No futuro, apenas a serra estará vazia de fábricas, mas repleta de cantinas e postos de gasolina cavados na rocha bruta. Simpático, inteligente, em rápida ascensão, Joelmir Betting é o futurólogo da imprensa paulistana. Os cariocas reclamam do “esvaziamento industrial” da Guanabara e os paulistas começaram a vociferar contra o “congestionamento industrial” da Grande São Paulo. Quem vai lucrar com isso, diz ele, a longo prazo, é o Interior. E ao invés de rodovia, a Anchieta se converterá na mais longa avenida do mundo, iluminada e congestionada pelo trafego denso de duzentos mil paulistanos e santistas que trabalharão nas fábricas da rodovia. A população paulistana sobe, por cegonha e adição, a uma taxa de 5,5% ao ano, prestando culto à aritmética dos coelhos. A indústria paulista caminha, sem “slogans” falsos, para o Oeste. Vem aí os distritos industriais de Campinas, São José do Rio Preto e Presidente Prudente. A Rodovia do Oeste é de integração populacional e econômica. A ligação São Paulo - Santos, a do lazer, está a cargo da Estrada dos Imigrantes, 180 milhões de dólares de asfalto bom e largo. E viva a Anchieta, pois. De todos nós. 

Os grandes ressurgem 
O secretário Zancaner mostra à imprensa a casa tombada de Portinari e o futuro Museu Portinari de Brodósqui. O Museu de Arte, pelas mãos de Bardi e Raquel Segall, prepara completa retrospectiva de Portinari. A Secretaria da Educação aciona a Programação Mário de Andrade, com simpósios, debates e exposições sobre o grande animador da cultura brasileira. Portinari e Mário de Andrade. Dois grandes. Ressurgem. 

São Paulo é imperialista?
Abreu Sodré diz que não é. Os depósitos arrecadados pelo Banco do Estado, nos Estados onde mantém agências, foram revertidos, nos mesmos Estados, à razão de 40% a mais do que o recebido. - Isto é muito importante quando se fala em política de desenvolvimento paulista, para se desmentir, de forma definitiva, que São Paulo deseja fazer, através de seu desenvolvimento, uma política de imperialismo brasileiro. Não temos a menor preocupação de fazermos uma política imperialista dentro do Brasil. O que desejamos é facilitar uma política de desenvolvimento em todo o País. 

A lição de Biafra Ele esteve lá. Carlos Lacerda. Biafra-70. “... é difícil haver união e paz construídas sobre o medo e o ódio. ...Esta é a primeira lição que o sacrifício de Biafra lega ao mundo de hoje... medo e ódio geram apenas ódio e medo.” 

TRIBUNA DE SANTOS 
18 de janeiro de 1.970.

A alma na Bolsa é verdade-econômica

Fala-se me suicídio de gente importante. Em corretores que enriquecem de uma hora para outra. No dia 8, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro atingiu volume de negociações superior a 15 bilhões de cruzeiros antigos. Na Bolsa paulista, durante todo o primeiro semestre, algumas ações sofreram valorização de 200, 300 e até 400%. A revista “Visão” (Quem é quem na economia brasileira) explica o “boom”. Luiz Cabral de Menezes, presidente da Bolsa carioca, diz que já vivemos uma “verdade econômica”. A origem do fenômeno terá sido um conjunto de medidas que o Governo adotou no fim do ano passado, tendo em vista atrais novos recursos para o mercado de ações. A estratégia oficial desencadeou um processo que fez da Bolsa uma alternativa permanente de financiamento do capital de giro das empresas, reduzindo assim a pressão sobre o mercado de crédito. Luiz Roberto de Souza Queiroz e Eduardo Jardim, repórteres do “Estadão”, dão também, explicações, no excelente texto de quarta-feira. “A alta atual na Bolsa de Valores deve-se a vários fatores, mas o principal continua sendo a lei da oferta e da procura... o número reduzido de empresas... os bons lucros dos inversores...” Concluem: “o mercado continuará aumentando, a tendência é de reaplicação e de jogar mais. Pode vir uma baixa. Mas quem não arrisca não petisca”. 

Maysa volta ursa ferina 
É a Maysa remoçada de 36 quilos, ou 36 litros, como diz, quem volta no “Urso Branco”. No Rio, durante dois meses e meio, foi aplaudida entusiasticamente no “Canecão” por cerca de 3 mil pessoas diariamente. Sempre de negro, de cabelos acinzentados, bela e agressiva na mini-saia transparente. “Elis é a maior cantora do Brasil, mas é mau caráter... Gosto do preto porque ainda penso como uma mulher gorda... Felicidade é privilégio de gente burra...” Maysa. Ouça. 

Cesar criava bons “slogans” Nicolau Tuma foi o espiquer-metralhadora de 32. Dia e noite, pela Record, insuflava os constitucionalistas. Seu companheiro, dono também de bela voz, era César Ladeira. Que morreu fulminado, no Rio, por derrame cerebral. Tuma, hoje ministro do Tribunal de Contas fala comovido de seu colega, César Ladeira, o criador de “slogans”: A Pequena Notável (Carmen Miranda), Voz Orgulho do Brasil (Vicente Celestino), Cantos das Multidões (Orlando Silva). E outros. 

 Contracepção e a consciência A Editora Herder lança o livro do Padre Charbonneau: “Humanae Vitae e Liberdade de Consciência”. O pastor canadense “numa reflexão teológica e pastoral, defende o valor do magistério apostólico e a integridade da fé, e, por outro lado, impõe o maior respeito à consciência dos cônjuges... coloca ao alcance dos casais cristãos, ciosos de fidelidade á Igreja, uma via em que a plena obediência religiosa se conjuga à plena libertação espiritual” (Nogueira Moutinho). Charbonneau diz, inclusive, das conseqüências sãs e danosas do método Ogino - Knaus. E dos métodos artificiais da concepção. O livro vende. E atinge. 

Saudade fortuita O salão nobre do Palácio está repleto de prefeitos, vereadores do Interior, correligionários. Fala o governador. Ao seu lado. Vêm-se o dep. Silvério Igreja, o deputado Nélson Pereira, o deputado José Costa, o Hélio Motta, o Ivo Ramos, o Holanda de Freitas, o Salvador Fernandes. E Roberto Costa de Abreu Sodré, o governador, quase faz a cincada, junto aos companheiros das jornadas antigas: - Meus caros udeni... Mas corrige, em tempo e sôfrego, logo, para “arenistas”. 

A rebelião a leitura Márcia é a menina-moça de seus 12 para 13 anos. Suas leituras desta semana são “O Diário de Ana Maria”, de Michel Quost, e “O Sr. Embaixador”, de Morris West. Há pouco, leu “O Tibet de Hoje”, do Dalai Lama. DA última “Realidade” lei tudo sobre o Vietname e o Laos, os “hippies”, a onda erótica e os amores de Jeanne Moreau. Na idade em que está acha Monteiro Lobato ultrapassado. E José Mauro de Vasconcelos, em geral, uma “laranjada”. Com exceção de “Meu pé de laranja-lima”. Aí, como todas as mocinhas românticas do tempo antigo, chorou. 

A TRIBUNA Santos, s/data