domingo, 22 de novembro de 2020

A sucessão é uma sucessão

De nomes. A nossa sucessão é a própria sucessão de nomes. No Sul, temperado à gaúcha e com muito vinho, surge unânime o nome do ex-prefeito de Caxias. No Paraná, assentam as araucárias, e Nei Braga & Paulo Pimentel acordam por um candidato único. Na Guanabara, o sucessor de Negrão é um dos dois jornalistas, sem contestações: Chagas Freitas ou Álvaro Americano. E aqui? Em S. Paulo, o que se sucede são os nomes dos postulantes... Delfim retira-se do páreo, ante determinação presidencial, e atiça Laudo Natel... Carvalho Pinto pede um estadista, que compreenda a juventude... Paulo Egídio, cara de lobo mau, continua à espreita... Herbert Levy, sem nada de mineiro, trabalha em silêncio... Gastão Vidigal é o candidato do grande jornal, depois que altos escalões vetaram Meira Matos... Miguel Reale vai às coxilhas como reitor e volta quente... Na área do Palácio, para o frigir dos ovos. São engatilhados Hely Lopes Meirelles e Antoninho Rodrigues. Quando é que Médici, & Rondon & Garcez & Sodré destrincham a sucessão paulista? 

São Paulo é São Paulo 
Gilberto Adrien entusiasmado com a fulminante carreira jornalística de Joelmir Betting, titular da página de economia das “Folhas”. Há alguns anos era, no Interior, um carregador de bananas. Depois serviu, como secretário, durante 10 anos, ao Pe. Donizetti, em Tambaú. Hoje, depois de alguns estudos e outros lances, é o jornalista mais falado da nova geração. Tom Zé era, na Bahia, um pouco mais que um capitão - de - areia. Veio para São Paulo, ganhou um festival. Agora é professor de violão numa galeria de arte da Bela Cintra. Do seu catálogo luxuoso: Tom Zé ensina, em duas aulas semanais de 55 minutos cada, guitarra, bateria, baixo - eletrônico, harmonia funcional e composição popular. E “sofisti - balacobaco” - muito som e pouco papo. 

Lacerda é o Lacerda 
Continua bravo e com uma briguinha violenta com o pessoal do cinema-novo. - O maior aliado do subdesenvolvimento é a sub-cultura. O conformismo social, o pedantismo artístico, a incompetência técnica, o primarismo intelectual, o colonialismo político chamado “cinema-novo”... os beneficiários do desajustamento e do atraso cultural dominante no Brasil... os expoentes da confusão de valores... a impostura do cinema-novo acabou 

A frase da semana “Passo ao meu sucessor, a 15 de março de 1971, um governo consciente, planejado, sério, audaz, fiel, disciplinado, técnico, honrado, e, mais que tudo, com obras e filosofia”. (Abreu Sodré, esta semana, em solenidade no Parque da Água Branca). 

TRIBUNA DE SANTOS 
15 de março de 1.970.

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